Eletrorresistividade e a prospecção de águas subterrâneas

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A prospecção de águas subterrâneas e a sua eventual descoberta perpassa vários níveis das técnicas geofísicas, encontrando utilidade na maior das necessidades humanas: o consumo de água e a sua utilização amplamente difundida para toda a população.

Porém, a prospecção de águas subterrâneas não tem apenas essa função, sendo algo de fundamental importância no erguimento de estruturas e definição de áreas de risco para a construção, para a perfuração e a manipulação do terreno em geral.

Neste artigo, vamos falar sobre a metodologia de eletrorresistividade, que nos permite um olhar geofísico na descoberta de jazidas de água nas camadas subterrâneas e sua eventual prospecção para levantamento da extensão. Vamos elaborar sobre sua natureza e os resultados que essa metodologia oferece.

Continue a leitura para saber mais!

O que é o teste de eletrorresistividade?

A ideia por trás da aferição do solo usando a eletrorresistividade é simples: o solo é composto por diversos materiais, cada um com uma especificidade diferente, identificáveis pela metodologia. Minerais, argila, areia e a água possuem características únicas que os diferem entre si, tudo o que é preciso fazer para identificá-los é mapear essas diferenças.

Dessa forma, é possível usar um método não destrutivo para mapear os diferentes tipos de solo e para a prospecção de águas subterrâneas.

O que e o teste de eletrorresistividade

Os métodos geoelétricos para a prospecção de águas subterrâneas se utilizam de parâmetros elétricos do solo, sendo possível citar o seu potencial espontâneo, sua condutividade e sua resistividade como alguns deles. Dessa forma, é fácil entrever o que cada área analisada guarda baseando-se no conhecimento das propriedades naturais de cada elemento e na observação prática.

Para que serve a eletrorresistividade?

A água doce potável é um recurso muito valioso, e portanto, está sempre sendo utilizada em larga escala. O problema é o paradoxo que isso gera: se ela é tão valiosa e por isso caminha para a escassez, mais e mais água é utilizada, agravando a escassez exponencialmente.

A eletrorresistividade, então, é um meio fácil e prático de aferição de largos espaços, fundamental no mapeamento e prospecção de águas subterrâneas, sem a necessidade de escavações e perfurações.

Construção civil

A construção civil possui sérios desafios na análise dos diferentes tipos de solo e no estudo do nível ou da presença do lençol freático. Normalmente, são utilizados métodos geotécnicos de sondagem direta para o entendimento da composição do substrato.

A eletrorresistividade, método geofísico, entra como um complemento aos esforços da geotecnia para entender a viabilidade da construção com segurança para a construtora e para os futuros moradores.

Como funciona a eletrorresistividade na prospecção de águas subterrâneas?

Como mencionamos anteriormente, a eletrorresistividade usa parâmetros como as características elétricas de cada material, ou seja, como cada elemento se comporta na presença de uma corrente elétrica.

Dessa forma, para se entender a composição do solo e para a prospecção de águas subterrâneas usando a eletrorresistividade é necessário criar um campo elétrico na região a ser mapeada.

No método da Eletrorresistividade, correntes elétricas artificialmente geradas são introduzidas no solo, por intermédio de um par de eletrodos denominados A e B, e as diferenças de potencial resultante são medidas na superfície por meio de outro par de eletrodos, M e N. Há diferentes técnicas e arranjos de campo.

Assim, calcula-se a resistividade aparente do solo.

Nos estudos envolvendo a captação de água subterrânea as técnicas adequadas são o Imageamento Elétrico e Sondagem Elétrica Vertical.

O Imageamento Elétrico é uma técnica de investigação lateral, a partir de medidas tomadas na superfície do terreno. O método é baseado na capacidade do equipamento em introduzir uma corrente elétrica no subsolo a diferentes profundidades de investigação.

Com base na diferença de potencial gerado, é possível calcular as resistividades dos materiais geológicos no subsolo. A interdistância (espaçamento) entre os eletrodos depende do grau de detalhe e da profundidade do terreno a ser estudado.

Essa técnica permite a utilização de diversos arranjos de campo, ou seja, disposições e espaçamentos distintos entre os eletrodos de corrente e potencial, entre eles os arranjos dipolo-dipolo e gradiente, amplamente utilizados na prospecção de águas subterrâneas.

Como funciona a eletrorresistividade na prospecção de águas subterrâneas

A técnica da sondagem elétrica vertical consiste em uma sucessão de medidas efetuadas, a partir da superfície do terreno, mantendo-se uma separação crescente entre os eletrodos de emissão de corrente e recepção de potencial.

O modelo geoelétrico obtido é atribuído ao ponto central do arranjo, que permite observar a variação das camadas geológicas naquele ponto em profundidade. Da mesma forma, permite a utilização de diferentes arranjos de campo, entre eles o Arranjo Schlumberger.

sondagem elétrica vertical

Os resultados são perfis e curvas de resistividade aparente, que após tratamento por programas especializados e a interpretação de um geofísico resultam na caracterização das camadas do subsolo quanto a sua composição e definição de estruturas (fraturas/falhas) favoráveis a percolação de água, culminando no sucesso da prospecção de águas subterrâneas.

sondagem eletrica vertical-2

Tudo isso, vale lembrar, é feito de forma não invasiva e não destrutiva, o que permite a preservação da fauna, flora e a rotina das pessoas que se encontram na área naquele momento.

Para mais informações como essas e para saber mais sobre os métodos geofísicos de análise do solo, não deixe de acompanhar o blog da Geoanalisys.

Temos muito mais informações como essas surgindo nas próximas semanas, fique atento e não perca nenhum artigo!

(imagens: divulgação)

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