Geofisicos – Demanda por geofísicos em alta

O hiato de cinco anos na realização de rodadas de blocos exploratórios da ANP não vai afetar o cenário promissor para geofísicos no Brasil. As oportunidades vão se concentrar, sobretudo, nas áreas de interpretação de dados e de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Estimativas mais conservadoras apontam um potencial para a contratação de 100 profissionais nos próximos dois anos, com base apenas nas rodadas anunciadas para este ano.

Para a consultora em recrutamento da Petra Executive Search, Cristina Lima, somente as operadoras que vão participar dos leilões deverão contratar, em média, dois geofísicos. “Esses profissionais vão atuar basicamente na interpretação dos dados do bid e na localização dos poços nos blocos arrematados”, avalia.

Destino tradicional dos geofísicos recém-formados, a Petrobras deverá enfrentar uma concorrência maior nos próximos anos. “Operadoras e empresas de serviço estão enviando representantes da área de RH para oferecer programas de trainee em universidades de norte a sul do país”, conta Cristina, revelando que a petroleira chegou a diminuir a nota de corte da prova específica para a área a fim de manter o nível de interesse pelo seu concurso.

Ainda assim, a Petrobras também deverá ser alvo das empresas de recrutamento e concorrentes para suprir a deficiência de profissionais com média experiência no mercado. “Os geofísicos com idade entre 35 e 45 anos estão todos na Petrobras”, explica a consultora.

O maior desafio será para as empresas de serviço, que têm mais dificuldade para tirar um profissional de uma operadora. “Quem trabalha com interpretação dificilmente se interessa em ir para aquisição e processamento”, completa Cristina.

Por outro lado, o perfil dos geofísicos da Petrobras nem sempre é o mais afinado com as qualificações procuradas pelas empresas privadas. “O mercado geralmente procura um profissional com uma experiência mais abrangente, e o profissional que está muitos anos na Petrobras tende a se especializar em funções mais específicas”, relata a executiva.

Demanda para o pré-salsize_590_engenheiros

Consultor da área de óleo e gás e autor do livro Cartas a um jovem petroleiro, o ex-presidente da Statoil no Brasil, Jorge Camargo, costuma dizer que este é o melhor momento para o jovem que quer entrar na indústria petrolífera. “O cenário para geofísicos não poderia ser melhor, diante dos desafios da exploração e desenvolvimento do pré-sal”, destaca.

Segundo Camargo, a demanda por geofísicos será alta dada a necessidade do desenvolvimento de tecnologias para enxergar abaixo do sal e através do carbonato. “Desenvolvimentos nessa área vão representar uma redução significativa do custo de exploração de desenvolvimento da fronteira”, salienta ele.

Outra oportunidade destacada pelo consultor será na interpretação da sísmica 4D para o desenvolvimento dos campos. “Não se conhece nada do comportamento do pré-sal, e hoje mal dá para ver o que está no reservatório”, analisa.

Repondo aposentados

A oferta limitada de geofísicos com experiência tem levado o mercado a usar uma parcela considerável de geólogos aposentados ou próximos de se aposentar. Para o professor do Departamento de Geofísica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Walter Medeiros, isso é positivo para quem está chegando ao mercado. “É uma parcela que vai se esgotar, e com isso a demanda por recém-formados tende a aumentar”, calcula.

Mesmo sem ter números, Medeiros acredita que o segmento já convive com um gargalo. “Minha impressão é que a oferta ainda está abaixo do que o mercado demanda”, avalia, acrescentando que a característica do curso é um dos fatores que limita a oferta. “É um curso muito difícil, e muitos desistem no caminho”, afirma.

A evasão na geofísica da UFRN é um das mais altas entre as ciências exatas, incluindo cadeiras de engenharia, e chega a 50% dos alunos matriculados. Com duas turmas concluídas, a instituição já graduou 23 alunos, sendo 15 em 2011 e 8 em 2012. Todos estão atuando na área, em empresas do mercado ou em cursos de pós-graduação financiados com recursos da ANP (PRH) e Petrobras (PSRH).

Estagiários de ouro

Segundo o chefe do Departamento de Geologia e Geofísica da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marco Santos, o mercado não sentiu tanto a paralisação das rodadas. “Houve uma esfriada no ano passado, mas todos os graduados estão se colocando ao menos em estágios”, avalia.

A UFF já formou três turmas de geofísica, com cerca de 60 alunos graduados. Pelas contas da instituição, 14 deles foram admitidos em concursos da Petrobras, e os demais estão distribuídos pelo mercado.

De acordo com Santos, empresas como Schlumberger, CGG e Statoil já fizeram ações de divulgação na universidade, com realização de palestras e recepção de currículos. “Em alguns casos, a empresa aborda diretamente o professor para identificar um aluno com um determinado perfil”, comenta.

Schlumberger e PGS também já marcaram presença dando suporte à infraestrutura da universidade, com a cessão de softwares de interpretação e estações de processamento, respectivamente.

Outra estratégia de aproximação é através de convênios financiados pelas operadoras. Petrobras, Shell e Total, por exemplo, já desenvolveram projetos de pesquisa na universidade, com a participação dos alunos da graduação.

Fator Petrobras

Para o consultor independente Jotávio Gomes, a Petrobras é o melhor caminho para o geofísico recém-formado. “As empresas de serviço em geral preferem contratar um profissional experiente a treinar um iniciante”, diz ele.

Segundo o consultor, as empresas de aquisição contratam por campanha e dispensam no fim do contrato, criando um ciclo fechado de reaproveitamento dos mesmos profissionais. “Existe receio em manter uma equipe fixa, por causa da sazonalidade do mercado”, pondera Gomes, acrescentando que o segmento também não é intensivo em contratação, com média de dois geofísicos contratados por campanha.

As oportunidades são melhores na área de processamento de dados. Embora em uma escala não tão grande, as empresas do segmento estão sempre incorporando novos profissionais, pois trabalham com equipes fixas.

Já para interpretação, Gomes acredita em um incremento nos próximos anos, com o início da produção em campos operados por Shell, Statoil e Repsol, que concentravam esse trabalho no exterior. “Com a operação no Brasil, existe a necessidade de manter profissionais acompanhando o trabalho de perfuração”, explica.

A graduação em geofísica reúne basicamente as disciplinas de geologia, física, matemática e computação. O profissional formado trabalha com geólogos e engenheiros de petróleo em várias etapas da cadeia de exploração e desenvolvimento da produção.

Ao contrário do geólogo, que tem uma formação mais abrangente, o geofísico acumula um conhecimento mais focado na exploração, com o domínio de ferramentas e processos associados à indústria da mineração.

Brasil Energia – 26/03/2013 – Ricardo Vigliano

 

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  1. Danilo Neves disse:

    Gostei da dica!

    Parabéns pela iniciativa.

    O blog está muito bom.